COMPARTILHAR – UM ATO DE AMOR

Sou mãe de um dependente químico de 25 anos com filhos e esposa. Soube do Nar-Anon através de propaganda na televisão  e então resolvi acessá-lo na internet. Ouvi vários depoimentos,  me identifiquei com todos eles e então decidi procurar um Grupo.

Anos a fio minha vida tem girado em torno dele. Tenho deixado de lado todos os meus objetivos, tentado solucionar seus problemas esquecendo-me dos meus. O mais doloroso é compreender que não posso resolver as coisas e nem tomar decisões por ele; é deixá-lo seguir o caminho que ele escolheu sem sentir que o estou abandonando. Tentava ajudar a minha nora e os meus netos, mas estava muito debilitada emocionalmente para conseguir ajudar alguém.

Frequentando as reuniões do Nar-Anon, através dos depoimentos dos companheiros, da literatura, percebi que primeiro preciso me ajudar, aos poucos dar novamente um rumo positivo à minha vida e esperar estar forte para poder ajudar meu filho quando ele quiser. Viver um dia de cada vez é melhor do que tentar viver todos de uma só vez, sem qualquer expectativa. Errei muito, fui conivente, manipulei e por muitas vezes escondi fatos importantes da família pensando que assim estaria ajudando meu filho. Estou compartilhando porque senti vontade de dizer como me sinto e talvez este seja o começo de um recomeço. O mais irônico disso tudo é que sou uma educadora. Lido com jovens adolescentes e desenvolvemos um trabalho juntamente com os pais de informação e prevenção ao uso indevido de drogas.  Isso me faz bem, pois ajudando os outros sinto que estou ajudando a mim e a meu filho.