INSANIDADE

Sou namorada de um adicto e só descobri sua doença depois que ele estava há um ano limpo. Eu pensava que estava tudo bem, mas sua obsessão pelo sexo me ofendia; ele me traía muito e eu pensava que o problema era comigo... não entendia que isso era o anúncio de uma nova recaída. Ele recaiu e já era tarde demais, não consegui deixá-lo sozinho. Ele me disse que a adicção é uma doença, então passei a tratá-lo como um doente, mas fazia tudo errado. Deixava que ele me manipulasse, facilitava seu uso de drogas, já não brigava, não discutia, não pedia para parar e assim pensava estar ajudando. As coisas foram piorando, abandonei meus filhos, minha vida e passei a viver em função dele. Tentei convencê-lo a se internar novamente em uma clínica, ele aceitou, mas ficou só um mês e quando saiu foi pior. Não sabia mais o que fazer, eu estava tão doente quanto ele, mas não via a minha doença, só a dele. Mostrei-lhe o quanto as drogas estavam acabando com sua aparência física, passei a tirar novas fotos e comparar com as do inicio de nosso namoro. Disse-lhe que nenhuma outra mulher em sã consciência ficaria com alguém como ele e se ele continuasse usando ia acabar me perdendo também. Mas parecia que tudo era em vão.

Depois de algum tempo ele decidiu se tratar. Foi um alivio para mim e para a família dele. Em uma conversa com a assistente social do centro de reabilitação descobri que eu estava doente e resolvi me tratar para poder viver feliz com ou sem ele.

Procurei o Nar-Anon e estou me sentindo melhor, mas ainda tenho muito que aprender com as partilhas dos companheiros. Só por hoje sei que funciona, por isso continuo voltando às reuniões.